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Município de São Roque do Pico
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Outras publicações 

 

NOVIDADES 

 

Pedras d’Armas e Armas Tumulares do Império Português, Tomo I, Sérgio Avelar Duarte, Letras Lavadas Edições (2012)

 

O conceito de património tem sido caracterizado por um processo de alargamento que decorreu em três etapas: uma extensão tipológico-temática feito a partir de bens/objetos/peças que não pertenciam ao conceito tradicional, cronológico e geográfico, aos considerado isolado, mas sim integrado no seu contexto, portanto significando a adoção de um entendimento integral do sentido de património.

Paralelamente a este processo de extensão, o critério de selecção de património cultural também mudou: enquanto inicialmente os valores histórico e artístico eram os únicos parâmetros, outros adicionais foram sendo acrescentados: o valor cultural, o valor de identidade e a capacidade do bem/objecto/peça interagir com a memória.

A partir duma aproximação puramente normativa, de natureza objetiva e sistemática, o reconhecimento dum bem/objeto/peça como sendo património cultural depende da sua inclusão numa lista, elaborada, por um lado, com base numa aproximação menos restritiva e, por outro, baseada na capacidade de despertar certos valores que levam uma sociedade concreta a considerá-lo património e, a seguir, numa etapa mais alargada, a admitir que património já não é definido com base nos seus aspetos matérias.

Este alargamento tornou possível o reconhecimento o reconhecimento do património cultural intangível, que foi ignorado durante muito tempo, como património que deve ser protegido e preservado.

O reconhecimento da importância da imaterialidade e da oralidade pode ser interpretado como um passo no sentido dum alargamento da perspetiva de património, aceitando a diversidade cultural como uma fonte de enriquecimento de toda a humanidade.

 

por Carlos Manuel Martins do Vale César

Presidente do Governo Regional dos Açores, Portugal.

 

208 pág

ISBN 978-972-8633-82-1

Disponível para consulta na Biblioteca Municipal de São Roque do Pico

 

 

Açores Ilhas de Sonho, Carmo Rodeia e José António Rodrigues, Publiçor (2011)

O Corvo. A Ilha. Uma porção de terra feita de gentes de sangue puro, vestida de humildade, tendo por companhia um palmo de terra e o oceano a esconder – quem sabe? – a lendária Atlântida. O Corvo é só isto: uma ganhoa pairando no paraíso prometido!

Corri a vila. Subi à Caldeira. É o altar-mor daquele templo alevantado do mar em pedraria negra.

Pelo caminho da encosta sagrada passei lameiros viçosos recortados pela régua do tempo. Lá no alto, no rebordo do monte, erregalaram-se-me os olhos de espanto… porque nunca vira “coisa” igual. E os deixei fugir para um além de prazer. Emudeci. E perdi as palavras. Vi-me metido entre urzes rasteiras, manchas de hortênsias num manto de flores silvestres que cobriam o chão verde das duas lagoas azuis que escondem o fogo da terra. Cortei uma flor. E beijei-a. Com amor. Senti-me feliz. Mais livre. Mais homem. Mais eu. Estremeci como nunca acontecera deixando escorrer o suor da alma. Nunca o só foi tão silencioso, e nunca o silêncio o senti tão só naquele covão onde reina, virgem e bela, a Natureza-mãe.

Depois sonhei. Voei. Nos Açores há o direito de voar e sonhar. Não há uma ilha igual. E me passei na companhia do corvo-marinho que tem olhos de lince… Na Fajãzinha das Flores deliciei-me a ouvir o cântico Que Memórias guarda a Horta, cabeça do Faial! É a cidade buliçosa e alegre. Vi os fumos dos Capelinhos. E no Peter’s encontrei um aventureiro amigo. Embebedamo-nos ambos com a maresia empurrada do Canal. Pico alto ali em frente. Até as névoas lhe oferecem majestade. E me enfiei naquela barca para apreciar o bailado das baleias e dos cachalotes que navegam sem descanso noite e dia. E vi da terra dura dos currais crescer a vinha. S. Jorge é a mais espantosa barca verde de todos os oceanos. Há amuradas altas que são montes empoleirados uns nos outros agarrados a ravinas agrestes atapetadas a verdes onde se escondem as mais lindas fajãs açorianas. Que bonita e graciosa é aquela Graciosa ilha redonda onde a paz vive na alma e no coração naquela boa gente.

A gruta da Maria Encantada levou-me às entranhas da terra. É um recreio de mistérios. E andei de mistérios. E andei ao redor da Caldeira por aquele belo jardim entremeado de currais onde a vinha cresce. Cada pôr de Sol na Graciosa é um espetáculo de poentes de fogo. Inesquecível. Corri depois à Terceira. De lés a lés. Reli a sua história que enche capítulos da História de Portugal. Desafiei a floresta, metido no bosque da Lagoa do Negro. Respirei os odores das Furnas. Vivi sensações deliciosas no Algar do Carvão. E vi figuras divinas em esculturas de fumarolas. Subi ao Monte Brasil. Angra é Património da Humanidade. Pertence a todos nós. Vivi a cidade. Em S. Miguel lá do alto do Mirante do Rei é a visão sublime e majestosa das Sete Cidades. Nada há igual. Vibraram-me a alma e os sentidos todos. A Lagoa do Fogo, o Vale das furnas e o Congro são muito a Terra da Promissão. Adorei o Terra Nostra. Fiquei preso ao Nordeste. Para sempre. Das Portas do Mar olhei Ponta Delgada. Vi acostar palácios do mar. E deles sair um mar de gente. Entrei no centro histórico pelas Portas da Cidade. Ponta Delgada recebe fidalguia. Ali fui peregrino do Santo Cristo. Rezei. Na Ribeira Grande bebi o chá da Gorreana. Vila Franca recorda a quem vem viu que ali chegaram os primeiros capitães mareantes da Casa do Infante Henrique, O Navegador. Memorio na Capitania o meu avô Jaime Olímpio.

Santa Maria foi a primeira. E a deixei para o fim. Quis dali mesmo bendizer a terra e as gentes açorianas. Chega-se e não apetece mais dali sair. Adormeci num leito fofo de areias douradas mesmo ao pé do mar. Ao redor da Baía de S. Lourenço cada bocadinho de terra murada guarda nomes de famílias ancestrais que li chegaram há séculos Povoadores. Cheguei ao Farol da Ponta do Castelo e voei mais alto ainda para fazer uma oração… Maria nome de mulher, de mãe, e de ilha. Aqui nasceram os Açores.

A Carmo Rodeia e o José António Rodrigues pintaram os Açores com palavras que são poemas e poemas em imagens que são vida. Só a juventude é capaz de dizer assim o que lhe vai na alma e desafiar o amanhã que lhe pertence.

Vila Nova de Gaia, Outubro de 2012

João de Freitas

Professor do Ensino Superior

 

206 pág

ISBN 978-972-8633-30-1

Disponível para consulta na Biblioteca Municipal de São Roque do Pico

 

Mestre João Alberto no reino dos barcos, Presidência do Governo Regional dos Açores / Direcção Regional da Cultura / Museu do Pico (2012)

Na legítima oração de todo o artista

quer queiram, quer não,

tem de ser esta:

dai-nos, Senhor, um pouco de glória em vida

Miguel Torga, Diário IV

 

Nos Açores, é sobretudo a Ilha do Pico que acentua a fisionomia da diversidade. De facto, o caráter da paisagem gera uma multiplicidade de vivências, que se traduz, claramente, numa grande diferenciação de atividades.

A maldição da terra, suscita, entretanto, uma forte atração pelo mar, fator que, igualmente, distingue, de forma peculiar, o picoense o universo açoriano. No Pico, as adversidades da natureza sempre determinaram uma maior exploração marítima, que aqui, adquire a forma de um indispensável complemento de sobrevivência. Daí a multiplicação das atividades navais e piscatórias e o desenvolvimento dos transportes marítimos, que foram, ao longo dos séculos, fazendo dos homens do Pico “lobos-do-mar”, que também são “exploradores da terra”.

(…)

A exposição Mestre João Alberto – reino dos barcos, uma iniciativa do Museu do Pico com o apoio da Direção Regional da Cultura e da Presidência do Governo do Açores, tem a ver com esta necessidade de dar a conhecer, porque de elementar justiça e merecimento, a obra notável de um açoriano genial. De um homem comum, que sendo do povo, não quis ser Zé Povinho.

 

31 pag

ISBN: 978-972-647-278-0

Disponível para consulta na Biblioteca Municipal de São Roque do Pico

 

O mundo que eu vi, Genuíno Madruga, edições Veraçor (2012)

A epopeia de dois anos do primeiro velejador Português e décimo a nível mundial a realizar uma circum-navegação à vela em solitário, dobrando o Baco Horn, navegando do Atlântico ara o Pacífico. Um feito só acessível aos grandes marinheiros.

Levar os Açores ao mundo

Realizar uma volta ao mundo em solitário é uma façanha de que poucos se podem justamente

orgulhar.

Mas repetir a aventura já só está ao alcance de um reduzidíssimo número de eleitos dotados de perseverança, da coragem e da curiosidade suficientes para os levar a querer conhecer melhor os quatro cantos deste planeta e, ao mesmo tempo, revisitar toda a sorte de momentos menos agradáveis que uma tão longa viagem sempre reserva.

Duas vezes se fez ao mar Genuíno Madruga e duas vezes aportou, de novo, a este Açores que o viram fazer-se a uma aventura ainda não tentada por ninguém da gente destas ilhas que, tendo o mar permanentemente no olhar, não se tentara por enfrentá-lo, a sós, em tão prolongados desafios.

(…)

Porque se atreveu a aceitar esse desafio, genuíno Madruga, o marinheiro, viu o Mundo, percorrendo-o em navegações ora calmas, ora turbulentas, cuja evocação se propõe partilhar connosco neste livro. Mas também por o ter feito, Genuíno Madruga, o açoriano, levou os Açores ao Mundo, ora no drapejar da bandeira regional aos quatro ventos, ora nos contactos pessoais que foi estabelecendo com gente que, por ele, ficou a conhecer-nos melhor.

E é essa dicotomia que torna estas páginas ainda mais apelativas, colocando o leitor no privilegiado lugar de observador de olhares, interrogações e, suponho, de fascínios vários, tanto de velejador solitário, quanto dos que o foram vendo chegar e partir.

Numa nova partida, de regresso às suas viagens e às recordações que delas guardava, Genuíno convida-nos a todos para bordo deste seu barco de folhas. Não será, portanto, um velejador solitário, mas é, com certeza – e na justa medida em que partilha connosco conhecimentos, experiências e emoções – um açoriano solidário.

Carlos César

Presidente do Governo Regional dos Açores

209 pag

ISBN: 978-989-8123-27-5

Disponível para consulta na Biblioteca Municipal de São Roque do Pico

  

Homens de Olhos Encovados & Outras Estórias de Homens do Mar, Francisco Andrade de Medeiros, edição da Câmara Municipal de Lajes do Pico, Câmara Municipal da Madalena e Câmara Municipal de São Roque do Pico (2012)

Explicação Prévia

Este é, essencialmente, um trabalho de preservação da memória, de homens ligados à vida do mar, sem qualquer pretensão em ser confundido com um trabalho de investigação científica. Todos os nomes e factos relatados são verídicos, pelo menos segundo a interpretação do autor.

(…)

Numa primeira parte inédita, que intitulei Homens de Olhos Encovados, regista-se a memória dos vigias de Baleia dos Açores e da sua arte de observação.

Numa segunda e terceira parte, republicam-se e reescrevem-se algumas crónicas e artigos dispersos por vários órgãos de comunicação social, e histórias que me foram contadas pelos próprios baleeiros e vigias, ao longo de vários anos, relacionados com as suas vidas de Homens do Mar.

Os vigias da baleia foram os olhos, os guardiões, os salva vidas e a providência de muitos homens do mar, em especial na aproximação de tempestades.

Resta-nos louvar aqueles que tiveram a ideia de reservar, em local próprio, tudo o que foi possível recolher relacionado com a caça à baleia.

O seu esforço irá perpetuar a memória de mais de um século de baleação.

Na data em que estou a desenvolver este trabalho, o Museu dos Baleeiros nas Lajes do Pico e a Fábrica da Indústria da Baleia, que pertencia às Armações Baleeiras Reunidas, Ldª. em São Roque do Pico.

O primeiro tem um espólio bastante valioso, proveniente da recolha de peças e literatura sobre a temática baleeira, desde o início da caça à baleia no Arquipélago. O segundo, felizmente, conseguiu conservar intacto todo o edifício e as máquinas existentes. Qualquer deles está aberto ao público, sendo dos museus mais visitados do Arquipélago.

 

171 pág.

ISBN 978-989-96170-7-0

Disponível para consulta na Biblioteca Municipal de São Roque do Pico

 

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